Ballet. Tutus. Sapatilhas. Saltos. Um mundo que cria um certo fascínio nas pessoas. Uma aura distante. O ballet parece estar a milhas de distância de nós meros mortais.
Só que não.
Foi o que eu descobri nesses últimos meses quando decidi que já passava da hora de voltar a usar sapatilhas.

Depois de mais de 10 anos sem dançar absolutamente nada (movimentar os ombros numa boate não conta como dança), voltar pro ballet se mostrou não apenas um desafio pessoal mas também uma ótima maneira de manter a forma, aumentar a concentração e buscar um contato maior com a arte. Os desafios pra quem começa ballet depois dos 2o anos não são poucos, mas não são tão instransponíveis assim.
Os preconceitos e os medos de quem quer começar
Engana-se quem pensa que ballet clássico é uma coisa leve e linda. (Okay, pode até parecer leve e lindo, mas pra chegar nesse efeito…) Eu acho engraçado quando comento com as pessoas que faço aulas de ballet e elas dizem: “As roupas são lindas! E é bom fazer uma coisa leve pra variar, né?”. Leve? Leve? Leve? Tá brincando, né? Ballet exige uma concentração e uma força absurdas (sério, já tentou erguer a perna sem dobrar o joelho o mais alto que você conseguir mantendo a coluna reta?), sem contar as exigências de equilíbrio e alongamento. E bem, para quem tem mais de 20 anos e a flexibilidade de uma árvore, o esforço é absurdo.

Não que seja impossível, claro. Uma das maravilhas do nosso corpo é que ele se modifica e um belo dia você descobre que consegue sim colocar a testa no chão durante um alongamento. Que consegue sim sustentar a perna num arabasque. Como tudo na vida, com treino e dedicação, a gente melhora.
Mas existe uma certa barreira na questão adultos e ballet. Muita gente ainda considera que ballet é coisa de criança e se que se você não começou a dançar com 2 anos de idade nunca mais poderá. Além disso, existem aquelas neuras que podem se resumir em:
- - Sou muito velha.
- - Sou muito pesada.
- - Sou uma árvore!
- - Minha mãe/ amiga/ cachorra/ passarinha/ periquita/ vizinha/ conhecida do Facebook acha que é uma bobagem.
- Me disseram que vou demorar anos pra chegar na ponta, então não vale a pena nem começar.
- A prima da amiga da minha tia disse que se não é pra ser dançarino profissional, não vale a pena fazer ballet. Não o tipo de dança pra ser um hobby.
- Eu sou feminista e roqueira, ballet é coisa de menininha! Vou perder toda minha pose! O que eu faço?
- Não tenho coordenação motora suficiente.
- Nunca vou vestir um collant na minha vida! Vou parecer uma melancia na sacola!
- E se alguém ficar sabendo?
- A gente não tem que dançar de verdade, tem?
Acredite, existem outros como você.
Mas estranhamente (e felizmente) ballet adulto está em alta. Eu não sabia disso quando comecei, mas ao que parece faz uns dois anos que um grande movimento de alunas de ballet adulto começou a aparecer online. São na grande maioria mulheres de 20 a 40 anos que começaram a fazer ballet há pouco tempo e agora trocam figurinhas sobre o assunto. Existem vários blogs e comunidades na internet onde as "bailarinas dos mais de vinte anos", como elas se chamam, trocam experiências, contam suas histórias e ajudam umas às outras. Então não, você não está sozinha na sua vontade de fazer ballet que bateu do nada aos 23 anos. Pra se ter uma ideia, teve matéria sobre o assunto até na Marie Claire e algumas revistas femininas até fazem propaganda de ballet adulto como a atividade perfeita pra ficar sarada. (não que revistas femininas devam ser levadas a sério)
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Eu sou contra fazer coisas só porque está "na moda", mas confesso que saber que existem outras pessoas na mesma situação pode ajudar a ter mais coragem.[/caption]
Atualmente eu acompanho o blog Dos Passos da Bailarina que tem nada menos que mais de 3.600 seguidores. É isso mesmo. Um blog de dicas de ballet adulto tem esse monte de gente. Viu, você não está sozinha/sozinho no mundo! Eu gosto especialmente dessa blogueira porque ela leva o assunto a sério e, inclusive, faz pós em dança. Então as chances de informações erradas/estranhas é bem menor. Fora que ela sempre indica os vídeos mais legais. rs
O primeiro passo: Keep calm and ballet on
Eu falo assim, mas eu mesma fiquei super neurada quando decidi fazer ballet. Eu fiz ballet quando criança. Coisa de uns três anos, dos 8 aos 11, acho. Lembro que na época achava o máximo e me empolgava com as apresentações de fim de ano, quando a gente usava roupas super coloridas e bufantes. rs Depois fiz um tempo de jazz, mas parei com a dança de vez aos 12 anos. Aos 23, pensei que jamais conseguiria me adaptar novamente, mesmo que aquela pontinha de vontade de dançar de novo estivesse se tornando uma coisa gigante. São muitas coisas que a gente pensa. Velhos preconceitos, medo de errar, medo de aparecer, medo de não conseguir, medo de expor ao ridículo...
Eu lembro quando cheguei perto da professora lá da academia, super tímida, quase sussurrando que queria fazer ballet... Parecia um crime. Mas a resposta dela foi tão feliz e natural que eu até assustei. hahaha Fui numa aula experimental morta de medo mas no fim das contas me empolguei e decidi me matricular. É difícil? Pra caramba. Dói? Pra caramba. É divertido? Pra caramba!
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