Desde meu último post sobre minha experiência no ballet clássico (vocês podem ler aqui), muita coisa aconteceu. Aprendi novos passos, memorizei uma sequência de barra (oh yeah!), machuquei a perna direita (que ainda está em recuperação), fiz uma pequena sequência no centro sem parecer uma jaca podre, fiz uma aula aberta (e meu marido estava lá) e entrei na ponta!

Não adianta negar, todo mundo se empolga quando entra na ponta. Agora resta contar a vocês como foi.
Você vai entrar na ponta, só que não.
Nunca fui mega ansiosa pra entrar na ponta, não naquele estilo de ficar perguntando a professora, fazendo drama e bla bla bla. Pelo contrário. Sempre tive consciência que iria entrar na ponta quando estivesse tudo certo e o que restava era esperar. Meu maior medo era sair do ballet antes de entrar na ponta (vai que não dá pra conciliar os horários?).
Até que o dia chegou e a professora anunciou que eu ia entrar na ponta. Hoooray! Foi bonitinho. Ela juntou as outras meninas e uma das pequenas deu o anúncio toda feliz. Okay. Hora de escolher sapatilha, o número certo, pesquisar na internet e talz. No meu horário de aula, eu fui a única a entrar na ponta esse ano. A maior parte da turma já está na ponta desde o ano passado. Mas eu tentei ficar tranquila. Que chegasse a hora. E que enquanto isso eu fizesse minhas pesquisas.
Mas quem me conhece sabe que pra mim as coisas mais absurdas acontecem. Não tinha sapatilha do meu número, não tinha nem enchimento. Paciência. Um mês de paciência. Aí a ponta chegou. Toda linda e rosa, com o cheiro mais gostoso do mundo! E eu fiquei toda empolgada. No dia que a sapatilha chegou, era aula de ponta das meninas e a única coisa que eu pensei foi: “Geeeeeente, essa é a minha última aula de meia ponta”. Que coisa. E lá fui pro fim da minha vida mansa de plié-elevé.

Costurando o elástico: a saga
E assim terminou minha última aula de meia ponta. Minhas colegas de turma estavam fazendo o maior medo em mim por causa da ponta futura. Restava costurar o elástico. Do lado da academia, tem um costureira e eu fui pedi-la pra costurar o elástico pra mim. Levei as colegas de ballet de backup, porque né, eu sou tímida. rs
A mulher se recusou a costurar (não falei que minhas histórias são estranhas?). Beleza. Então euzinha teria que fazer o serviço. Perguntei as meninas tipo umas 47 vezes como/onde costurar o elástico. Passei numa lojinha, comprei linha e agulha e fui pra casa costurar. Eu estava convencida que conseguiria: afinal, não poderia ser muito difícil, podia?
Ledo engano.
Depois de tentar começar e não conseguir, fucei na internet uns vídeos de como costurar elástico (inclusive, esse vídeo aqui é bem legal. Queria ter visto antes de costurar o meu elástico. Só lembrando que as dicas de quebrar a sapatilha não são legais pra sapatilhas student. Então cuidado. Em inglês, mas dá pra entender pelas imagens). Aí comecei o processo só que o elástico esfacelou na minha mão. Isso mesmo. O elástico esfacelou na minha mão. É. Tive que fazer uma emenda e o que era pra virar dois elásticos virou um que estava literalmente indo embora.
Mas costurou. E eu furei o dedo na agulha, saiu sangue que sujou o cetim da sapatilha maaaaaaaas eu consegui tirar com sabão branco. Então dica: se você tem as mesmas habilidades de costureira que um elefante com astigmatismo, peça ajuda a alguém. 🙂

En pointe! Só que não…
Então chegou o grande dia. Primeira aula de ponta! Não. De madrugada eu passei mal, fui parar no hospital com intoxicação alimentar. Sim. Perdi minha primeira aula de ponta. Fiquei em casa meio deprê, vomitando e assistindo vídeos de ballet pra me animar.
Life sucks.
Agora sim: en pointe!
Então chegou a outra aula. Sinceramente eu nem esperava que fosse aula de ponta, achei que ia ser aula de barra, mas a professora resolveu que ia ser ponta. Pronto. As meninas – queridas coleguinhas – surtaram. Na verdade, todo mundo estava super empolgado. E eu fiquei meio perdidona e medrosa.
A sensação que tive ao calçar a sapatilha pra valer (eu já tinha calçado em casa, mas só tinha tentado fazer meia ponta) foi a de que eu tinha um pé de pato no pé. Sei lá. Eu sentia que estava andando muito engraçado.
E aí fomos pra barra. Aquecimento. Uhuuuuuuuuuuuuu! Consegui fazer meia ponta. Mais aquecimento. Okay, agora é pra valer. Primeira posição. Pontaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!
* Colegas surtando ao fundo *
Minha impressão? Bem, que dói muito menos do que pensei. Rola um desconforto, uma sensação de que seu pé vai sair da sapatilha a qualquer momento e você vai cair, mas não senti dor dor dor. Não sei, eu tenho uma boa resistência à dor, então pode ser isso também. Ou vai ver a professora foi boazinha e não deu exercício pesado na minha primeira aula.
Algumas pessoas já me perguntaram porque tanta alegria em voluntariamente colocar o pé dentro dentro de uma sapatilha apertada e com gesso que vai gerar bolhas e calos, mas essas pessoas não entendem ballet clássico. Toda grande bailarina um dia teve sua primeira aula de ponta, então começar na ponta é como ser parte de uma longa tradição de mulheres (e porque não, alguns homens também) no ballet clássico. É como se todas (e todos) nos sentíssemos parte de um mesmo grupo, que compartilha um mesmo desejo louco de dançar na ponta dos pés.

Agora é muito trabalho pela frente.
Eu agradeço imensamente às meninas do ballet (fofas!) que têm paciência com a tia lerdinha. Eu me divirto e aprendo com vocês todos os dias. Agradeço também minha professora que além de ótima, tem bastante paciência e sempre me incentiva. Realmente, eu tive muita sorte. 🙂 Finalmente, agradeço o marido, que desde o começo me incentivou a fazer ballet e está sempre lá para tirar fotos e ser um fofo.
Esse post é dedicado à Cássia Pires, do blog Dos Passos da Bailarina, que foi quem pediu um relato detalhado da minha experiência na ponta. 🙂 Cássia, o seu blog ajuda bailarinas adultas sem conta. Obrigada.
Ah, eu tenho um conto baseado no ballet O Lago dos Cisnes. Para quem se interessar, “A Morte do Cisne” está publicado no livro Noites Negras de Natal e outras histórias. Dá pra saber mais dele aqui.
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