M8, #Escrevereiro, MCR e outras siglas

M8

Fevereiro passou ligeiro no pós-Carnaval, mas eu ainda me assustei ao ver que que já era M8: 8 de março, o Dia Internacional da Mulher. Tenho lá minhas questões com a data e escrevi sobre isso lá na newsletter. A parte boa de cair num domingo é que tem um pouco menos de mensagem hipócrita e brega no trabalho.


#Ecrevereiro

É hora de falar do saldo do desafio de escrita pras escritoras ocupadas do Brasil. Como contei pra vocês, trabalhei em Fantasia Urbana nos anos 2000 com o objetivo de finalizar a PARTE 2 dessa história. Tem sido um trabalho divertido que me traz várias memórias afetivas de Belo Horizonte e me faz relembrar como foi ser adolescente por lá em 2005.

Spoiler: os celulares eram horríveis.

  • Semana 3: Na semana anterior, decidi fazer uma mudança bastante brusca na trama, o que me fez ter que começar PARTE 2 meio que do zero.  Fiz muitos esboços sobre as cenas a partir dessa perspectiva nova. Inclusive, mudei o ano em que se passa a história de 2004 pra 2005 por motivos de que eu precisava que uma música específica já tivesse sido lançada. Sim, música é importante nessa história a esse nível.
  • Semana 4: De volta ao trabalho, não consegui render tanto na escrita quanto gostaria, mas foi o suficiente pra que a PARTE 2 ficasse organizada e que as cenas novas fossem incorporadas de uma forma mais fluida ao restante do texto.

Algumas informações da trama que compartilhei no Instagram durante o #Escrevereiro. Essa história tem:

  • Protagonista que já tá cansada do excesso de trabalho (quem diria que caçar demônios fosse tão extenuante);
  • Sentimentos mal resolvidos por pessoas do passado;
  • Mistério de assassinato sobrenatural;
  • Elementos de mandinga mineira;
  • Vampiros dirigindo um Peaugeot 206;
  • Celulares com fotos na qualidade de 2 pixels;
  • Romance sáfico;
  • Pessoas tóxicas que literalmente ressurgem do nada.

MCR

O My Chemical Romance (MCR para os íntimos) sempre foi uma inspiração na minha escrita, principalmente pra Fantasia Urbana nos anos 2000, e parece quase que providencial que o show deles no Brasil fosse no início de fevereiro. Desde então estou obcecada por MCR e ninguém me aguenta mais falando disso. Além de ouvir a discografia no repeat, estou relendo Not the Life It Seems, uma biografia da banda. E agora é vocês que lidem com isso. rs

Como volta pra vida normal depois de ver isso aqui ao vivo?

A ideia inicial para Fantasia urbana nos anos 2000 veio diretamente da música  “It’s not a fashion statement, it’s a fucking deathwish”. A história é simples e terrível: um amor tóxico do passado volta pra assombrar a ex, mas ela não tem pra onde correr porque, afinal, “you get what everyone else gets, you get a lifetime”. Então não importa o que aconteça, o acerto de contas é inevitável, porque a pessoa amada vai morrer um dia e terá que enfrentar as consequências.

À medida que a trama foi se desenvolvendo na minha cabeça, outras músicas do MCR vieram com ideias: de “Vampires Will Never Hurt You”, peguei a noção de que é melhor pedir que alguém querido te mate caso você vire um vampiro (ou demônio) do que ter uma existência dessas. Isso se conecta com outro ponto da história: como é ter a coragem de matar alguém que você ama porque essa pessoa se tornou um vampiro/demônio? Isso tá em “Early Sunsets over Monroeville”. O cenário para todo esse conflito me veio com “Demolition Lovers” com a história desse casal dirigindo pela estrada enquanto um deles sabe que estão inevitavelmente caminhando para a morte.

Mas eu juro que mesmo surgida desse amor tóxico horrível Fantasia urbana nos anos 2000 é uma história divertida. Emo, mas divertida. Afinal, em meio à fuga do seu amor tóxico sobrenatural, você pode ver que não dá pra negar seus sentimentos pela sua melhor amiga e que vocês vão ter que resolver essa situação antes que o mundo sobrenatural exploda Belo Horizonte em 2005.

I gotta bulletproof heartYou gotta hollow point smileWe had our run away scarsGot a photographed dream on the getaway mile
 
Let’s blow a hole in this townAnd do our talking with the laser beamGunnin’ out of this place in a bullet’s embrace
Then we’ll do it again

Nada como duas mulheres fugindo de vampiros em um Gol 1981 cor grafite.


outras siglas

Outra parte legal de escrever Fantasia urbana dos anos 2000 é recuperar não só gírias da época, mas também abreviações que a gente usava no MSN e no longínquo mundo dos pacotes de SMS:

  • tc
  • xoxo
  • me add
  • tdb
  • pacas
  • rs

 Além de, é claro, ela, a icônica, a única, a incrível, ligação de três segundos. Se você não entendeu nada, você tem menos de 30 anos.

Por hora, é isso. A meta é finalizar esse livro até o inverno ao som de “The Only Hope for Me Is You”. Tá vendo? Eu consigo ser romântica sem ser muito emo. Quer dizer, quase. rs

bjs*


Melissa de Sá – O Blog

Assine para receber as novas postagens por e-mail.

Comente!